domingo, 7 de junho de 2009

Quem é o culpado?



O povo do Zimbábue teve o que mereceu, dizem alguns mais céticos, ao elegerem (muitas vezes) o tirano Robert Mugabe como seu presidente, e permitindo o contínuo aumento da inflação e a perpetuação da crise econômica do país, crise de uma enormidade impressionante para qualquer um com um pouco de senso de realidade. Mas até que ponto esse povo- e esse presidente- devem ser julgados?

Eleito em 1980 primeiro ministro, foi uma figura essencial para a independência, em abril desse mesmo ano, de um país frágil, atrasado e necessitado de líderes como este, que anteriormente fora preso e exilado por lutas a favor de seus ideais. Mas que em 2005 já afirmava que deixará a presidencia apenas quando completar cem anos de idade, e não há quem o negue, da mesma forma que não há quem prove que as eleições são sempre legítimas.

Após se tornar presidente, com a extinção de seu antigo cargo, tratou de centralizar seu poder, impondo o presidencialismo, promoveu bons ajustes no sistema educacional, elevou a qualidade de vida, tudo bem, até a sua ideia de reforma agrária aparecer, com o confisco, em 2000, de terras de proprietários brancos, acompanhado de uma matança comparada por alguns ao holocausto da Alemanha nazista, para dar aos negros, o que foi determinante para o início da atual crise pela qual passa o Zimbábue, onde a inflação chegou a 231 000 000% ao ano, onde famílias levam quilos de notaz zimbabueanas para um almoço de domingo, onde em 2004 68% da população vivia abaixo do nível da pobreza.

Mugabe atrbui a crise às sanções impostas pelos governos ocidentais, mas a verdade é que não há como saber se seu impeachment ou qualquer outra maneira de retirá-lo do poder seria o suficiente para acabar com a situação. Apesar de ser inegável que ele mereça uma lição, qual é a força de um povo pobre, doente e necessitado em um momento como esse?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Acusticando o Rock



Henrique Hawle

apresenta

Acústico Especial de Despedida!!

Confira as atrações!!

Zaíra (voz feminina)

Fábio (acordeon)

Rafael (voz)

DeGhustas

Senhores Fulanos


5ª feira - 07/05

Lone Star Pub

Rua Ministro Rocha Azevedo, 1096, Jardins. (3082-6408)

Horário: 22h00

Entrada:R$5,00


Ai pessoal, não esperem muito de mim, porque não deu tempo de ensaiar muito tá?E é só uma participaçãozinha especial de quatro músicas. Fica o convite aí, se tiverem tempo e disposição :)

Fábio Andó Filho

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Música Paulistana (beta)

São Paulo é uma das cidades mais importantes do Brasil e, certamente, a capital cultural do país. Isso deriva de grandes quantidades de manifestações artísticas, e difere-se de outras regiões do país por apresentar uma enorme diversidade. São Paulo foi palco de um dos eventos mais importantes de expressão artística na terra da palmeira, a Semana de Arte Moderna de 1922, é pólo de atração de exposições internacionais de arte seja contemporânea, barroca, o que for, apresenta grande concentração de bons teatros como o Oficina, e de importância histórica como o Arena, tem uma enorme capacidade no cenário de música underground, tem dança, orquestras, foi berço de grandes autores como Mário de Andrade e Monteiro Lobato (Taubaté). O problema é que essa grande força de expressão não está presente no cotidiano da correria.

Pelo mundo afora, as capitais culturais, que são, geralmente, as maiores cidades, criaram o hábito de intercalar arte com a rotina. Andar em Montréal, a capital cultural do Canadá, é conviver com esse hábito, ninguém passa por nenhuma estação de metrô que não seja acariciada pelos talentosos jovens e velhos músicos. Em Buenos Aires, quem nunca ouviu falar de apresentações de Tango na rua ao som agradabilíssimo do tradicional bandoneon? Na Cidade do México, os músicos apresentam-se dentro dos próprios vagões de metrô, em meio à multidão que sai a trabalho, que pode relaxar e apreciar o que representa a melhor das invenções da humanidade. Em Paris, as pessoas cantam até nos cabelereiros (ver). E na nossa querida terra da garoa? Vi três em toda minha vida e até divulgo-lhes, pois merecem respeito. Um toca violino em alguns fins de tarde pela saida de baixo do metrô Clínicas, outro toca flauta transversal em raros poentes na saida da Vergueiro no terminal Ana Rosa, outro o violino ao lado da Catedral da Sé.

O ato de expressar-se artisticamente em público, cruamente, na rua, é constantemente associado à mendicância. Deve-se eliminar tal preconceito, e deve-se passar a reconhecer o que há de belo, enquanto as pessoas contribuem com a construção de um cenário urbano mais agradável, outras, ignorantes e inexpressivas, atribuem significados injustos, fruto da furtividade social. Não obstante, a prática de arte em público resulta em aprimoramento do amadorismo, desalienação da massa aculturada, desafloração de ânimos reprimidos, colaborando com a construção de uma paisagem mais lépida.

A minha intenção é tentar lutar por uma causa que muitos consideram fútil. Tento fazer com que as pessoas tomem a inciativa de expressar-se sem medo de serem reprimidas. Como aspirante à músico, sei que todos buscam serem reconhecidos e buscam indivíduos que apreciem sua arte. Também acredito que muitos conseguirão alguns arrecadamentos, que não serão tão módicos, pois muitos transeuntes incentivarão aquilo que os faz bem. Chamo essa minha tentativa de projeto de Música Paulistana, e é uma simples vontade de trazer charme à essa cidade de contrastes, cores e ritmos. Inicialmente, não apresento nenhuma proposta concreta (por isso o beta), e sim um apelo aos dezenove milhões de habitantes (ou a meia dúzia que lerá esse artigo) que fomentem as envies de músicos e artistas amadores para que saiam do casulo e mostrem suas asas que nasceram para serem vistas.

Essa proposta, apesar de individual, é empática à do Governo do Estado de São Paulo,que meses atrás lançou um projeto (o qual não me recordo o nome) de incentivo à apresentação de bandas independentes de composições próprias em pontos públicos e importantes da cidade, não sei ao certo que fim deu. Há também o projeto de música da América Latina que ocorre no Terminal Rodoviário do Tietê. O Governo põe à disposição legislação que possibilita projetos culturais mais exigentes( ver). A cultura é sim importante, e todos devem contar com o apoio do Estado, ninguém é reprimido por isso e o país só tende a melhorar.

Espero, sinceramente, que a nossa cidade chegue um dia ao status de primeiro mundo, mas não somente no âmbito político-sócio-econômico, mas também no cultural, educacional e intelectual. Mãos à obra.


Inspirem-se: Beirut - Nantes (Paris)
Beirut - The Penalty (Paris)


Non dvcor, dvco.



Fábio Andó Filho


A nossa humilde tentativa:
(foi divertido pacas)

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Três epitáfios sem compromisso.

Viveu, matou, morreu. Cantou, gritou, calou. Jogou, estragou, assistiu. Participou, competiu, torceu. Abriu, puxou, passou. Plantou, comeu, pastou. Deixou, herdou, comprou. Aprendeu, copiou, repetiu. Escreveu, traduziu, citou. Cedeu, roubou, ganhou. Dançou, mexeu, trepidou. Levantou, caiu, tropeçou. Curtiu, avelhentou, envelheceu. Respeitou, invadiu, ausentou. Pé, sentado, transe. Acordou, baladou, dormiu. Escolheu, foi, ignorou. Mudou, carcomeu, parou.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Doblepensar (1984)

Tudo tem uma explicação. Não é tão fácil chegar ao fim.Eu comecei apenas simpatizando, nós tínhamos amigos em comum, frequentávamos os mesmos ambientes.Minha vontade foi se desenvolvendo em necessidade. Eu precisa sentí-la na minha boca. Cansei de ver só na dos outros. Foi então que resolvi experimentar, fui tentar minha sorte.
Nem acreditei que consegui. E foi uma das melhores sensações que senti na minha vida. Acho que minhas pernas até tremeram de euforia. Basicamente os melhores minutos do ano.
E por um tempo ficou só naquela noite. Demorei pra vê-la de novo, cerca de uma semana. A semana da bad. Quando a vi novamente, fui contido. Trocamos até juras de amor em pensamento, mas ninguém quis tocar no assunto. Passamos o dia inteiro juntos e nada, eu tentei parar.
Mas dias depois nos reencontramos e fomos a um barzinho. Não tive controle. A enrolei em mim e em meus lábios a tive novamente. Esses momentos são indescritíveis.Passado alguns minutos, entrei em crise. Me pareceu não mais sulficiente aquelas condições. Queria algo mais forte, mais concreto, mas o medo bateu à porta novamente. Mandei-o embora. E em um abraço meigo cheirei. E descobri que não havia algo melhor. Poderia me deixar aceso por mais dias o cheiro, desde que andasse sempre comigo. E assim passou uma semana.
Sinto agora que estou próximo do fim. O avanço final. E esse receio de que não dure é muito deprimente. E se não der certo, é minha primeira vez.
Mas vou em frente. Vou levando até chegar o grande dia. Tenho medo(de novo) de não voltar.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2009

Passo

A pé sentia o pó firmar-me o passo,
caminhada velha no escuro dia.
A fumaça no alto - tragava um maço,
inadvertido, nessa estrada fria.

Sabendo da tarde o fim, via o laço
do sol a desabrochar, e seguia,
mesmo notando que já o cansaço
apertava-se em mim, qual cobra esguia.

Eu andava sem saber que fugia,
sem saber que a fadiga era uma via
que a sincera ausência do teu abraço

escolhera para mostrar que eu perdia.
E na morte do sol vi a ironia
de querer ser sem saber o que faço.




Mais que feliz pelo convite, valeu Fabinho. É um prazer enorme poder participar.

http://rocolmar.blogspot.com

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

O náufrago

Eu quis te moldar
Pois não me adequei ao seu pensar
Embora isso me conquistou
Busquei o melhor para nós dois

Ou só pra mim eu não sei
Só sei que amei que amei
Que amei o seu olhar
E naufraguei no seu sertão e mar

E mais
Já não há mais porto ou cais
A imensidão é infinitamente
Sem fim e é o que nos faz contentes

É paz
Só teu afeto me satisfaz
Se o mundo gira lentamente
Quem diz que ele não pára pra gente.

Eu sei que cantar não é meu forte, mas dá pra ter uma idéia da idéia.
http://www.youtube.com/watch?v=PwZN84KSMIw

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Papillon avant l'orage

Moi non plus, je ne suis personne, j'aimerais être une porte pour pouvoir rester toujours silencieux, ou j'aimerais être une sculpture en sable car je pourrais disparaître dans un coup d'une vague. Je voudrais rester là-bas dans une place, n'importe où, mais que je pourrais y rester sans complications. J'espère qu'un jour je vais pouvoir me nourrir de la musique et des chansons des oiseaux. J'attends un jour où je pourrais me coucher sous l'ombre d'une belle fleur. Ou d'un érable qui boit le rafraîchissement de l'eau de la neige qui fond. Ou l'ombre d'un coup de soleil qui traverse la fenêtre, inaperçu, incroyable. Pourtant, j'aimerais voler les temps de tout le monde et leur dire tout. Leur raconter les rêves que je n'en ai jamais eu aucun, mais leur dire tous les details des choses les plus simples et crier sur les vies des personnes qui n'existent pas. J'aimerais devenir ami d'un certain montant des gens spectaculaires et pis les oublier pour pouvoir les connaître encore et profiter de ses magnificences particulières une autre fois. Ce sont des expériences fantastiques: connaître une personne, tomber amoureux, conquérir quelqu'un, être sympathique, gagner la confiance de quelqu'un, faire une amitié, commencer une relation, peut-être apprendre une langue, faire une blague et pas réussir. Ou quand un lieu te manque, ou quand une personne te manque et tu te rappelles de nombreuses choses qui peuvent te faire pleurer ou rire comme un fou. Mais c'est pas bon, et c'est vraiment méchant pour part du destin de te faire rien sentir. La pire part est quand tu ne sens pas. Je déteste ça et me déteste quand ça arrive. Pouvoir rien sentir et rien faire. Vouloir cacher de toi-même les choses qui n'arrivent pas. Je pourrais être une feuille, une bande, le blanc ou le noir, mais s'il vous plaît, attaquez-moi le feu.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

Música poetizada

Só queria andar no quarteirão
E ser mais um na multidão
Mas vocês só andam revoltados
Já estão perdendo a expressão

Ontem até quis mudar o mundo
Hoje vi que meu quarto tá imundo
Até as canções são sempre as mesmas
E notei que os refrões mais profundos...

São instrumentais

.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Ausência.

Fui uma pessoa que não se importava.
Minto, me importava com os outros. Eu não era apenas secundária, mal estava por trás das câmeras, eu vinha por último.
Alegrias alheias me alegravam, ajudar qualquer pessoa me fazia sentir bem, então pra que perder meu tempo cuidando de coisas minhas? Eu era uma só!
Acabei deixando de ser uma só.
Amei tanto, tanto, que esqueci de amar a mim mesma.
Por me importar tanto com os outros, tão pouco comigo, fui me tornando uma colcha de retalhos, onde cada pedaço era um alguém importante, e eu fui sumindo, sumindo...
Não que eu fosse infeliz daquele jeito. Pelo contrário, não podia querer mais nada.
Deixei de pensar em mim, mas com isso também me ausentei do mundo, dos meus retalhos, meus amores. Fui me mandando embora, eu era tão desinteressante!
Até que as coisas deixaram de ser tão coloridas, e os pedaços foram se afastando de mim, afastando cada vez mais...
Não estava sozinha. Não, não me deixaram sozinha, muito pelo contrário! Seria até ingratidão... Mas eu me sentia assim, já que ninguém pode estar sempre ao meu lado a não ser eu mesma. E eu não estava comigo.
Estava longe.
Eu era a linha que prendia todos os retalhos, e afrouxei mais que nunca, despedaçei. Não tinha mais com o que me aquecer, o que abraçar, quando sonhava que o tempo voltava e o mundo era meu novamente.
Nunca imaginei que fosse precisar tanto de mim como das outras pessoas. No fim das contas, estar ao meu lado talvez pudesse me fazer bem pra variar. Só espero não me estranhar, me dar bem comigo mesma, serei simpática.