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domingo, 21 de novembro de 2010

Arte não-autorizada

Pouco mais de um mês atrás, a prefeitura da cidade de São Paulo, juntamente com a Polícia Militar, decidiu que passariam a ser proibidas manifestações musicais nas ruas-especialmente na Av. Paulista- que tivessem "qualquer tipo de exploração comercial."
Vou começar meu post com um vídeo:




Louis Armstrong, de talento indiscutível, a "personificação do jazz", começou sua carreira musical tocando nas ruas de New Orleans. Ele e muitos outros que conseguem fazer da arte o seu ganha-pão.
Agora contarei algumas historinhas pessoais:
Alguns meses atrás, tive a oportunidade de visitar a cidade de Paris. Conheci lugares maravilhosos, construções gegantescas e tudo aquilo o que todo mundo sabe que existe na cidade-luz. Mas uma das cenas mais encantadoras que vi segue abaixo:

Arte na Torre Eiffel, Paris, julho de 2010.
Nesse dia, vi pela primeira vez as ruas de um país que não fosse o meu, subi na torre eiffel, comi um crepe cheio de queijo, mas a primeira coisa que contei para o meu namorado quando o liguei foi que vi um menino tocando gaita de fole no pé da Torre Eiffel e achei aquilo lindo.
O euro que eu joguei dentro da maleta desse moço foi um dos mais bem gastos dessa semana toda. Ele era muito bom, e tocava o instrumento com uma paixão que se vê em poucas pessoas nessa vida.

Vi outros músicos em muitos outros lugares na cidade. Tocando o tema de "O Poderoso Chefão", La Boheme, até Garota de Ipanema. Dentro dos metrôs e trens, ao lado de monumentos históricos, em calçadas quaisquer. Sem conflitos, todos sorrindo e recebendo sorrisos.

Sentimento semelhante a esse eu tinha quando passava nos meus fins de tarde na av. Paulista. Terça-feira, seis da tarde, as pessoas poderiam sair das suas rotinas cansativas escutando acordeonistas, violinistas, guitarristas, e usar seu salário ganho durante o dia para que pudessem relaxar e ajudar os outros. Os musicos de rua não insistem por esse dinheiro, eles ganham porque as pessoas sentem que merecem.

Pergunto a vocês, prefeito e policiais militares da cidade de São Paulo: vocês não acham que eles merecem?
Considerando que o que eles fazem são "eventos", do que mais, além de ter talento, eles precisam para ganhar uma autorização?



sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Preconceito


“Você é muito nova”, dizia, “não entende as coisas complexas da vida”, acariciava seu couro cabeludo, cheiro de maçã verde, “na sua idade, ninguém sabe o que é amor”. Lágrimas nem sempre querem carícias.
Mas você amava. Era impossível que não. Doía, sangrava, e ao mesmo tempo era suave, belíssimo, infinito. (Por que não chamar de infinito algo que você não quer que acabe?)
“Tudo bem, você tem muito para viver”, insistia, e agora não entendia porque você tão cedo parara de chorar e olhava fixamente para as pedras (cinzacinzacinzavermelhacinzafolha). “Você quer ficar sozinha?”
Não queria ficar sozinha, mas estava na companhia errada. Disse que sim, ou só balançou a Cabeça de modo que se compreendeu que sim. Talvez nada disso.
Quem foi que disse que para sentir é necessário ter vivido muito tempo? Intensidade não é sinônimo de vivência, apesar de terminar com idade. Humanidade termina com idade. Os sentimentos, principalmente os bons, não possuem preconceitos. As pessoas, principalmente as não muito boas, essas sim.
Não que seu conselheiro não fosse uma pessoa boa, ele “quer sempre seu bem”. Mas existem coisas que estão dentro de nós, lá dentro mesmo, e os outros não precisam tentar enxergar ou entender. Qual é o ponto? A essência de cada um está no que ninguém vê, ninguém ouve, ninguém sente, ninguém sabe, ninguém nada. E o amor também.
Amava. Amava porque amor é cor, é som, é cheiro, luz, vento, é imortal e morre. E vive. E morre. E volta. As pessoas nunca acreditam amar sem amar de verdade. Elas podem até pensar, ou dizer, mas nunca acreditar.

Paula Zogbi Possari

domingo, 5 de setembro de 2010

Domingo (ou não é crime nem pecado)

Hoje estou desinteressante.
Minto, desinteressada.
Realmente não importa o que você diga ou faça, não vai causar a mínima reação em mim.
(...)Desculpe se você tem muito a dizer.
(...)Não, nem sobre isso.
Não adianta, todas as partes do meu cérebro- e do meu corpo- estão terrivelmente ocupadas em ficar completamente imóveis.
(Terrivelmente? Isso não é nada terrível, elas têm absoluto direito de se ocupar com isso)
Não é preguiça, nem cansaço, tampouco depressão.
Vou lá saber o que é? Não vai mudar a vida de ninguém.
Aliás, estou me esforçando muito mais do que deveria para te explicar isso.
(..)Ok, então, muito mais do que gostaria.
Por iço vol escrever erado.
Pronto, bem melhor assim, pra que pensar em português hoge?
Minha cama está muito vazia.

Paula Zogbi Possari

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Poesia imatura

Eu nunca deveria ter posto um filho no mundo para abandoná-lo assim, sem pensar.
Miri, eu voltei! Você ainda me ama?

Do outro lado da cidade
Uma borboleta secou,
Nenhuma nuvem surgiu,
Aquela pele rachou.
Mas quem precisa de umidade
Quando a tua saudade
Não deixa secarem meus olhos?



Paula Zogbi Possari

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Acúmulo

Hoje minha irmã disse para o meu antigo professor [do fundamental I] de música-vulgo flauta- que eu estava com saudades. Não tinha parado pra pensar nisso, mas é estranho como hoje eu sinto muito menos, nunca mais, falta desse meu colégio do que antes. Isso é comum, mas me inquieta.
Conforme o tempo passa, enquanto as diferentes Saudades vão se acumulando, acabei esquecendo de sentir as Saudades [maiúsculo mesmo] de certas coisas- Saudades que merecem ser sentidas- para sentir outras, que também merecem, mas não necessariamente merecem mais.
Por exemplo, por um vago e ágil instante, parei de sentir a Saudade de escrever aqui no miri. Não sei se foi o layout torto, que eu não sei arrumar e quem sabe não arruma, se é porque só sobramos eu e o Fabinho [mal-e-mal ambos] dentre todos aqueles que foram tão empolgados ao seu nascimento, se foi o vestibular, e depois o nervosismo, e depois a euforia...
O que eu sei é que me sinto injusta. Como pude deixar de sentir Saudades- não só essa- que já me consumiram tanto, que já derramaram tantas lágrimas sinceras em tantos ombros... saudosos?
O que penso é o seguinte: a saudade pode deixar de torturar e machucar, isso é natural. O não natural é deixar de senti-la. Não importa que elas sejam muitas, cada vez mais, ou que você tenha menos tempo para se dedicar a elas, nunca esqueça suas Saudades, elas fazem parte de você e merecem viver.

Paula Zogbi Possari

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Lá si dó / nada é autobiográfico

Onze meses antes.

Muita chuva, porque chuva é poético. Menos [poético] que a primavera e muito mais que o sol- desde que sem guarda-chuva.
Uma-hora-e-meia pós-meia-noite:
A noite para um, madrugada para a outra.
Ele ouvia "she's only happy in the sun", ela, "I'm only happy when it rains".
Ela com fones de ouvido, ele não se importando com os vizinhos- a não ser que o incomodassem.
Ele contamplava a lua, ela sonhava com as estrelas;
Mas essa não é uma história de antíteses, porque ambos preferiam a noite. Porque precediam manhãs de sol, sem iaiá nem ioiô.
...
E a noite só não os uniu, porque já eram um; mas nunca seria capaz de desuní-los, apesar de previsível que os separasse um dia (...uma noite).

Que ele prefira as ondas, as tempestades; mas ela a calmaria, que ele diga "sozinho", ela "chega de saudade"; se um for Chico Science e a outra Chico Buarque...
Que importa? Ques importam?
Nem ses.

Só importam onze meses depois. E nunca para ambos.


Paula Zogbi Possari

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Quente demais para sopa.

Carboidratos demais;
Açúcar demais;
Barulho, roupas, cérebro

De mais.

Pesado demais;
Arcaico em demasia;
Patinetes, férias, outono

De menos...


Paula Zogbi Possari

domingo, 29 de novembro de 2009

Árvore de Natal.

Ontem cheguei no meu prédio e os dois elevadores estavam no décimo quinto. Para esperar, sentei-me no hall. Em azul e vermelho, a árvore de Natal piscava aos meus olhos. Engraçado, que sensação. Havia anos que eu não parava para contemplar uma árvore de Natal. Aquela que representava paz, desejo, mistério, hoje em dia tão banalizada no cotidiano, cheguei até a reclamar do dinheiro que a síndica gastava com esses enfeites. Estou empedernindo. Não há mais tempo de contemplar. Quando era uma miúdo, sabia de cor cada ponto da costura da estampa dos cobertores de casa, sabia acompanhar todas as linhas do desenho no pano de chão do banheiro. Podia exceder os limites da conta de água por gastar tempo demais observando a trajetória de cada gota d'água no box. Quando estamos crescendo, é importante que observemos para aprender. É assim que assimilamos o mundo. Mas quando adultos, não sei que desgraçante pedância nos faz ignorar. É por isso que quando grandes, paramos de aprender, ficamos secos, grossos, perdemos a nossa humanidade. Quando paramos de observar, de contemplar. Velocidade e compromisso, existem coisas muito mais relevantes que engolem a nossa capacidade de aprender. Daí o elevador chegou e eu tive de correr. Mas isso foi sincero. Quis chorar em frente àquela árvore.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O legal da literatura amadora.

Eu estava assistindo Band of Brothers, e há um episódio chamado "Why we fight" fiquei naquelas de why everything. Daí eu pensei ontem antes de dormir porque escrevo. Cheguei a umas considerações. As considerações são muito pessoais, mas justificam-se.

O Legal da Literatura Amadora.

O legal da literatura amadora é escrever para si achando que está deixando um legado pra humanidade. É legal escrever sabendo que vai sair um monte de besteira e o único crítico é você mesmo. É legal porque ninguém vai estudar aquela sua sacada genial, e se alguém se interessar você vai ter que explicar. O legal é pegar tudo o que você já escreveu e achar algumas coisas muito bestas e algumas coisas que fazem muito sentido. Também é o máximo pensar na sua vida e dividí-la em fases, 1ª, 2ª, 3ª, romântica, realista, simbolista, modernista, vanguarda do seu tempo, e pensar que está inovando. Outra coisa que eu acho fantástica é o fato de (sei lá, pelo menos eu) escrever escrever escrever e não saber conjugar mais de dois verbos em tu ou vós (nem sei o nome dessas pessoas). Mas é legal também quando você lê algo novo e vê que algumas ideias próprias - poucas - batem com ideias de grandes escritores contemporâneos. Legal descobrir que existem coisas simples que você nunca experimentou - aprendi a usar travessões no meio do parágrafo há menos de um mês. Legal também descobrir que as professoras de redação em geral falam merda pra tentar tolhir os frutos da sua imaginação fértil.
O legal da literatura amadora é que, apesar de literatura, é amadora.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Dia de sorte. Meia dúzia coisinhas à toa que fazem a vida da gente.

começando pelo mais óbvio, pisei na escola ouvindo uma inspetora gritando pra outra: cancelaram o ENEM, vazou a prova. Ano premiado.
Mais irrisório, na prova perguntavam quatro medidas e repercussões do Marquês de Pombal, o que pra mim foi um desastre.
A lâmpada da sala abaixo à direita explodiu e cheirou gás pelo colégio inteiro.
1° depoimento, imprimiram a prova de recuperação errada para ser aplicada.
2° depoimento, a pessoa rasgou a prova apagando com borracha e logo em seguida, das nove aulas que teria, 4 seriam com a mesma professora de biologia e três com o mesmo professor de matemática.
3° depoimento, a pessoa, ouvindo o Ipod fingiu ser surda para evitar um assalto:
saboyamcphee @fabioandofilho LOL, foi muita sorte! Um até falou "surdo ouvindo fone de ouvido?" e o outro "é surdo sim!! olha pra cara dele" eu: "......"

Foi um dia a ser constado - 01/10/2009

domingo, 27 de setembro de 2009

Equívoco

Não existe esperança, o mundo é vago, vazio.
O tempo que dura a felicidade é ínfimo se comparado ao tempo das reclamações incessantes e corridas contra as maldições da vida à própria vida.
O amor é pequeno, o único amor que nasce realmente grande é o amor próprio, mas mesmo esse diminui paulatinamente, a medida em que se descobre que nada acontecerá da maneira que foi planejado e toda a correnteza é no sentido contrário àquele- ah, aquele- descrito na poesia.
A poesia é um crime.
Pensar é desnecessário, e imaginar é tentar escapar de uma sina a qual nada pode destruir.
O que são os sonhos? Nada. Ninguém pode lhe ajudar, ninguém. E você não pode fazer nada sozinho.
"First you have to give up".
Os únicos momentos verdadeiros na sua vida são aqueles nos quais a sua maior vontade é morrer, e a segunda maior é a que nada do que foi feito merecesse ter sido sequer pensado.
Ninguém vale nada, nada vale nada.

Mas tudo isso não passa de um grande equívoco. O maior.

terça-feira, 16 de junho de 2009

Bagunça.

Que falta nesta cidade?................Verdade
Que mais por sua desonra?...........Honra
Falta mais que se lhe ponha..........Vergonha.


O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
numa cidade, onde falta
Verdade, Honra, Vergonha. (...)
Gregório de Matos


Polícia é necessário. Políticos, muito infelizmente, são necessários às vezes. Mídia é necessária. Movimento Estudantil é mais necessário do que se imagina.O problema nesse mundo é que nada funciona como deveria. A polícia é meliante. Os políticos nem merecem ser comentados. A mídia é tendenciosa. E o movimento estudantil é burro. Nada que nenhuma pessoa não saiba, mas talvez não saibam aplicar as vergonhas em seus cotidianos.Muitas pessoas me reprimem por expor ideais utópicos, mas pra quê abandonar a crença que as coisas possam dar certo? A nossa sociedade está anestesiada de tanta pacholagem, mas o epicentro dessa desgraça está em cada um. O Prof. Edson Alberto C. Ferreira palestrou que é necessário acreditar e lutar, desde que se esteja acima de suas próprias utopias. Esse é meu artigo, inútil para aqueles que veem o problema sempre um passo a frente.


Maio - Junho de 2007 - Ocupação na reitoria da USP.
Estudantes da Universidade de São Paulo ocupam a reitoria reinvidicando uma maior democratização no ensino público. De um lado expuseram uma nova força de expressão estudantil. De outro, depredaram aquilo que vem do dinheiro público. Por ainda outro lado, a mídia faz seu papel. Bagunça.

ver:

Bagunça.
Bagunça..
Bagunça...


16 de Outubro de 2008 - Guerra entre polícias.
Polícia Civil, em manifestação, entra em conflito com a Polícia Militar. Vergonha.

Vergonha, vergonha, vergonha.


9 de Junho de 2009 - Invasão da Polícia Militar na USP.
Greve na USP. Funcionários traziam em pauta a readmissão do sindicalista Brandão e o reajuste salarial, que não vem desde 1994. A reitoria alega que o piquete fere o direito de ir e vir em patrimônio público e aciona a Polícia Militar, que a partir do dia 3 ocupou o campus. Estudantes tomam partido e manifestam também contra o exímio programa da Univesp de licenciatura a distância, que com certeza vai contribuir poças para a educação no país, e pedem a saída da PM. Violência.

Violência

Certo ou errados, o hipopótamo e o escorpião.

domingo, 7 de junho de 2009

Quem é o culpado?



O povo do Zimbábue teve o que mereceu, dizem alguns mais céticos, ao elegerem (muitas vezes) o tirano Robert Mugabe como seu presidente, e permitindo o contínuo aumento da inflação e a perpetuação da crise econômica do país, crise de uma enormidade impressionante para qualquer um com um pouco de senso de realidade. Mas até que ponto esse povo- e esse presidente- devem ser julgados?

Eleito em 1980 primeiro ministro, foi uma figura essencial para a independência, em abril desse mesmo ano, de um país frágil, atrasado e necessitado de líderes como este, que anteriormente fora preso e exilado por lutas a favor de seus ideais. Mas que em 2005 já afirmava que deixará a presidencia apenas quando completar cem anos de idade, e não há quem o negue, da mesma forma que não há quem prove que as eleições são sempre legítimas.

Após se tornar presidente, com a extinção de seu antigo cargo, tratou de centralizar seu poder, impondo o presidencialismo, promoveu bons ajustes no sistema educacional, elevou a qualidade de vida, tudo bem, até a sua ideia de reforma agrária aparecer, com o confisco, em 2000, de terras de proprietários brancos, acompanhado de uma matança comparada por alguns ao holocausto da Alemanha nazista, para dar aos negros, o que foi determinante para o início da atual crise pela qual passa o Zimbábue, onde a inflação chegou a 231 000 000% ao ano, onde famílias levam quilos de notaz zimbabueanas para um almoço de domingo, onde em 2004 68% da população vivia abaixo do nível da pobreza.

Mugabe atrbui a crise às sanções impostas pelos governos ocidentais, mas a verdade é que não há como saber se seu impeachment ou qualquer outra maneira de retirá-lo do poder seria o suficiente para acabar com a situação. Apesar de ser inegável que ele mereça uma lição, qual é a força de um povo pobre, doente e necessitado em um momento como esse?

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Três epitáfios sem compromisso.

Viveu, matou, morreu. Cantou, gritou, calou. Jogou, estragou, assistiu. Participou, competiu, torceu. Abriu, puxou, passou. Plantou, comeu, pastou. Deixou, herdou, comprou. Aprendeu, copiou, repetiu. Escreveu, traduziu, citou. Cedeu, roubou, ganhou. Dançou, mexeu, trepidou. Levantou, caiu, tropeçou. Curtiu, avelhentou, envelheceu. Respeitou, invadiu, ausentou. Pé, sentado, transe. Acordou, baladou, dormiu. Escolheu, foi, ignorou. Mudou, carcomeu, parou.

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Doblepensar (1984)

Tudo tem uma explicação. Não é tão fácil chegar ao fim.Eu comecei apenas simpatizando, nós tínhamos amigos em comum, frequentávamos os mesmos ambientes.Minha vontade foi se desenvolvendo em necessidade. Eu precisa sentí-la na minha boca. Cansei de ver só na dos outros. Foi então que resolvi experimentar, fui tentar minha sorte.
Nem acreditei que consegui. E foi uma das melhores sensações que senti na minha vida. Acho que minhas pernas até tremeram de euforia. Basicamente os melhores minutos do ano.
E por um tempo ficou só naquela noite. Demorei pra vê-la de novo, cerca de uma semana. A semana da bad. Quando a vi novamente, fui contido. Trocamos até juras de amor em pensamento, mas ninguém quis tocar no assunto. Passamos o dia inteiro juntos e nada, eu tentei parar.
Mas dias depois nos reencontramos e fomos a um barzinho. Não tive controle. A enrolei em mim e em meus lábios a tive novamente. Esses momentos são indescritíveis.Passado alguns minutos, entrei em crise. Me pareceu não mais sulficiente aquelas condições. Queria algo mais forte, mais concreto, mas o medo bateu à porta novamente. Mandei-o embora. E em um abraço meigo cheirei. E descobri que não havia algo melhor. Poderia me deixar aceso por mais dias o cheiro, desde que andasse sempre comigo. E assim passou uma semana.
Sinto agora que estou próximo do fim. O avanço final. E esse receio de que não dure é muito deprimente. E se não der certo, é minha primeira vez.
Mas vou em frente. Vou levando até chegar o grande dia. Tenho medo(de novo) de não voltar.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Papillon avant l'orage

Moi non plus, je ne suis personne, j'aimerais être une porte pour pouvoir rester toujours silencieux, ou j'aimerais être une sculpture en sable car je pourrais disparaître dans un coup d'une vague. Je voudrais rester là-bas dans une place, n'importe où, mais que je pourrais y rester sans complications. J'espère qu'un jour je vais pouvoir me nourrir de la musique et des chansons des oiseaux. J'attends un jour où je pourrais me coucher sous l'ombre d'une belle fleur. Ou d'un érable qui boit le rafraîchissement de l'eau de la neige qui fond. Ou l'ombre d'un coup de soleil qui traverse la fenêtre, inaperçu, incroyable. Pourtant, j'aimerais voler les temps de tout le monde et leur dire tout. Leur raconter les rêves que je n'en ai jamais eu aucun, mais leur dire tous les details des choses les plus simples et crier sur les vies des personnes qui n'existent pas. J'aimerais devenir ami d'un certain montant des gens spectaculaires et pis les oublier pour pouvoir les connaître encore et profiter de ses magnificences particulières une autre fois. Ce sont des expériences fantastiques: connaître une personne, tomber amoureux, conquérir quelqu'un, être sympathique, gagner la confiance de quelqu'un, faire une amitié, commencer une relation, peut-être apprendre une langue, faire une blague et pas réussir. Ou quand un lieu te manque, ou quand une personne te manque et tu te rappelles de nombreuses choses qui peuvent te faire pleurer ou rire comme un fou. Mais c'est pas bon, et c'est vraiment méchant pour part du destin de te faire rien sentir. La pire part est quand tu ne sens pas. Je déteste ça et me déteste quand ça arrive. Pouvoir rien sentir et rien faire. Vouloir cacher de toi-même les choses qui n'arrivent pas. Je pourrais être une feuille, une bande, le blanc ou le noir, mais s'il vous plaît, attaquez-moi le feu.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Ausência.

Fui uma pessoa que não se importava.
Minto, me importava com os outros. Eu não era apenas secundária, mal estava por trás das câmeras, eu vinha por último.
Alegrias alheias me alegravam, ajudar qualquer pessoa me fazia sentir bem, então pra que perder meu tempo cuidando de coisas minhas? Eu era uma só!
Acabei deixando de ser uma só.
Amei tanto, tanto, que esqueci de amar a mim mesma.
Por me importar tanto com os outros, tão pouco comigo, fui me tornando uma colcha de retalhos, onde cada pedaço era um alguém importante, e eu fui sumindo, sumindo...
Não que eu fosse infeliz daquele jeito. Pelo contrário, não podia querer mais nada.
Deixei de pensar em mim, mas com isso também me ausentei do mundo, dos meus retalhos, meus amores. Fui me mandando embora, eu era tão desinteressante!
Até que as coisas deixaram de ser tão coloridas, e os pedaços foram se afastando de mim, afastando cada vez mais...
Não estava sozinha. Não, não me deixaram sozinha, muito pelo contrário! Seria até ingratidão... Mas eu me sentia assim, já que ninguém pode estar sempre ao meu lado a não ser eu mesma. E eu não estava comigo.
Estava longe.
Eu era a linha que prendia todos os retalhos, e afrouxei mais que nunca, despedaçei. Não tinha mais com o que me aquecer, o que abraçar, quando sonhava que o tempo voltava e o mundo era meu novamente.
Nunca imaginei que fosse precisar tanto de mim como das outras pessoas. No fim das contas, estar ao meu lado talvez pudesse me fazer bem pra variar. Só espero não me estranhar, me dar bem comigo mesma, serei simpática.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Desabafo de novo ano.

Eu aprendi que nao existe melhor lugar no mundo que a minha terra, minha patria, a casa que me acolheu com tanto calor. Que nao existe melhor comida que a por kilo. Que nao existe melhor calçada pra se andar que a do meu bairro e nem melhor cadeira que a da minha escola. Nao existe melhor festa que a brasileira e nada do mundo que pague uma familia e os verdadeiros amigos. Aprendi que é impossivel esquecer o latido do meu cachorro, o gol do meu time. Que o melhor e mais inesquecivel timbre é o do meu instrumento musical. Aprendi que é impossivel esquecer o sorriso dos amigos, nao importa o que aconteça, sempre é a primeira lembrança que se tem, e o melhor remédio e melhor presente. E nenhum outro sorriso no mundo é melhor que os que ficaram pra tras. Aprendi em pouco tempo que o cliché é muito mais sério quando se esta sozinho. Descobri que queria estar ai pra dar um abraço de Feliz Ano Novo pra todo mundo.

segunda-feira, 17 de novembro de 2008

3 planos

Parte verídica:
Quando parei a olhar fixo para os cds da prateleira, o ventilador pareceu estar parado enquanto as paredes se moviam. Não é possível! Continuei olhando, mas a televisão começou a piscar em um tom meio verde escuro e em ritmo frenético. As ondas musicais oscilavam por todos os cantos chegando aos meus ouvidos pouco distorcidas, de forma que eu não podia compreender. Mas naquele exato momento o telefone tocou quebrando toda a vibração, meu espírito pareceu retornar para o submundo em que costumava viver.

Parte reflexiva:
Hoje não me sinto real. Deitado sob a paisagem que deixa o céu esverdeado, sentindo o vento bater em todo o corpo fazendo-o levitar, a maior vontade é que o mundo realmente acabe. Afinal, o que se há de fazer? Se nosso prazer está baseado em tirar proveito, imagine se em tudo que fosse 'inanimado' houvesse sentimento. Sinto que às vezes o apego material é tão acentuado que é de acreditar que nossas posses realmente sentem alguma coisa por nós, e em comparação com essa natureza, mais particular. É como se tivéssemos a necessidade de se apegar a algo para nos satifazermos. Confesso que assim como agora, confundo meus amores...

Isso não se encaixa:
Deixo agora esse mundo de divagações, pois não são pensamentos que vão mudar o mundo. O carnaval está pra chegar e no fim tudo acaba indo por álcool abaixo junto ao declive das passarelas e das avenidas.

sábado, 11 de outubro de 2008

Nenhum ensaio sobre nada.

I – Nenhum ensaio

Lindamente, eu não sei o que permeia esta plenitude lírica das oscilações vazias. Em ausência idiossincrática, de uivos ululantes, simula um monte de idéias retóricas. Ícones sem face e sem presença cultuados pela vida são o que não resta daqueles que já não existem. Uma negação da verdade, eles são exatamente o que as siriemas não são. Incapazes de serem levadas pelo vento e capitularem ao tempo, permanecem onde não estão, invejando aos pintinhos, alheios, ventáveis, assim como aqueles que precedem os outros que procedem muita coisa com o risco de causar algo de grande magnitude, podendo abranger até mesmo a pesca por luminescências esplêndidas mesmo, às vezes muito aquém do permitido por nossa capacidade incipiente, afogando-nos de novo ao nada. Nada é, nebulosamente, a gênese. Aqueles que procedem são, consequentemente, simplesmente, nozes.

II – sobre o nada.

O nada é a sobreposição de tudo e, por sobrepor tudo, submete-se à anulação. Nada, então é o estado mais completo e complexo da metafísica, sendo congruente ao tudo e adjacente ao quase nada. Não é mais vazio agora. O nada é tudo cheio, como o branco é cheio de luz e o preto é cheio de cor, enquanto a recíproca é oposta. Como o amor é cheio de outro, e a solidão é excesso de si. Como a vida é feita de morte e a morte é feita de vida. Nada é tudo e tudo é nada, mas sobre isso nada podemos falar. Um circunlóquio sem fim e sem sentido. Assim como o universo, que não significa nada, exatamente por ser absolutamente tudo.


III- O Gnomo, nihil.



Fábio e Vítor.