Hoje estou desinteressante.
Minto, desinteressada.
Realmente não importa o que você diga ou faça, não vai causar a mínima reação em mim.
(...)Desculpe se você tem muito a dizer.
(...)Não, nem sobre isso.
Não adianta, todas as partes do meu cérebro- e do meu corpo- estão terrivelmente ocupadas em ficar completamente imóveis.
(Terrivelmente? Isso não é nada terrível, elas têm absoluto direito de se ocupar com isso)
Não é preguiça, nem cansaço, tampouco depressão.
Vou lá saber o que é? Não vai mudar a vida de ninguém.
Aliás, estou me esforçando muito mais do que deveria para te explicar isso.
(..)Ok, então, muito mais do que gostaria.
Por iço vol escrever erado.
Pronto, bem melhor assim, pra que pensar em português hoge?
Minha cama está muito vazia.
Paula Zogbi Possari
domingo, 5 de setembro de 2010
quinta-feira, 26 de agosto de 2010
Poesia imatura
Eu nunca deveria ter posto um filho no mundo para abandoná-lo assim, sem pensar.
Miri, eu voltei! Você ainda me ama?
Do outro lado da cidade
Uma borboleta secou,
Nenhuma nuvem surgiu,
Aquela pele rachou.
Mas quem precisa de umidade
Quando a tua saudade
Não deixa secarem meus olhos?
Paula Zogbi Possari
Miri, eu voltei! Você ainda me ama?
Do outro lado da cidade
Uma borboleta secou,
Nenhuma nuvem surgiu,
Aquela pele rachou.
Mas quem precisa de umidade
Quando a tua saudade
Não deixa secarem meus olhos?
Paula Zogbi Possari
quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010
Acúmulo
Hoje minha irmã disse para o meu antigo professor [do fundamental I] de música-vulgo flauta- que eu estava com saudades. Não tinha parado pra pensar nisso, mas é estranho como hoje eu sinto muito menos, nunca mais, falta desse meu colégio do que antes. Isso é comum, mas me inquieta.
Conforme o tempo passa, enquanto as diferentes Saudades vão se acumulando, acabei esquecendo de sentir as Saudades [maiúsculo mesmo] de certas coisas- Saudades que merecem ser sentidas- para sentir outras, que também merecem, mas não necessariamente merecem mais.
Por exemplo, por um vago e ágil instante, parei de sentir a Saudade de escrever aqui no miri. Não sei se foi o layout torto, que eu não sei arrumar e quem sabe não arruma, se é porque só sobramos eu e o Fabinho [mal-e-mal ambos] dentre todos aqueles que foram tão empolgados ao seu nascimento, se foi o vestibular, e depois o nervosismo, e depois a euforia...
O que eu sei é que me sinto injusta. Como pude deixar de sentir Saudades- não só essa- que já me consumiram tanto, que já derramaram tantas lágrimas sinceras em tantos ombros... saudosos?
O que penso é o seguinte: a saudade pode deixar de torturar e machucar, isso é natural. O não natural é deixar de senti-la. Não importa que elas sejam muitas, cada vez mais, ou que você tenha menos tempo para se dedicar a elas, nunca esqueça suas Saudades, elas fazem parte de você e merecem viver.
Paula Zogbi Possari
Conforme o tempo passa, enquanto as diferentes Saudades vão se acumulando, acabei esquecendo de sentir as Saudades [maiúsculo mesmo] de certas coisas- Saudades que merecem ser sentidas- para sentir outras, que também merecem, mas não necessariamente merecem mais.
Por exemplo, por um vago e ágil instante, parei de sentir a Saudade de escrever aqui no miri. Não sei se foi o layout torto, que eu não sei arrumar e quem sabe não arruma, se é porque só sobramos eu e o Fabinho [mal-e-mal ambos] dentre todos aqueles que foram tão empolgados ao seu nascimento, se foi o vestibular, e depois o nervosismo, e depois a euforia...
O que eu sei é que me sinto injusta. Como pude deixar de sentir Saudades- não só essa- que já me consumiram tanto, que já derramaram tantas lágrimas sinceras em tantos ombros... saudosos?
O que penso é o seguinte: a saudade pode deixar de torturar e machucar, isso é natural. O não natural é deixar de senti-la. Não importa que elas sejam muitas, cada vez mais, ou que você tenha menos tempo para se dedicar a elas, nunca esqueça suas Saudades, elas fazem parte de você e merecem viver.
Paula Zogbi Possari
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Election Night 2044
Elagabalus finally died. His decrepitude sang the complexion of a punished man, though, the shimmering eyes, statically wide open, denounced the one who had been the last one to live on the surface. His mourn was a tremendous failure, there was only his nephew K, who was, by that moment, the older human in life at the age of twenty-four. K was the first offspring of the Stronghold.
By the year of 2010, the world fell into a great depression, the economy dropped and human boasting attitude overwhelmed nature, the environment got muddy. The world has got itself jammed in bituminous disgrace. Elagabalus was the last man to have seen the sun and the moon; by the year of 2044, all humanity lived underground in a world built out of concrete. When Elagabalus died, the reminiscences of the old world died together.
The people of the Stronghold had no identity. As they were a compendium of what once was a global diverse community, they did not share ethnicity, religions or even language. For this, they needed a leader able to conceal so distinctive backgrounds. Elagabalus was a good one, due to his exotic vividness and unusual tan. The human intellect regressed to a bestial level and they would choose their leaders by judging their beauty. That mournful night they would have to call a new election.
The Election Night 2044 was frustrating. None of the candidates has ever had a sunbath. Those diaphanous puppets of Hades were nothing but flesh and bones. Not even a spot of melanin. One could see melancholy frolicking through those empty bodies. How did the world could reach that path? There was nothing, not even beauty. Humanity was lost. Nature was harshly subverted. In 2044, nobody won the elections.
(minha redação para commonapp para a Tufts University.)
By the year of 2010, the world fell into a great depression, the economy dropped and human boasting attitude overwhelmed nature, the environment got muddy. The world has got itself jammed in bituminous disgrace. Elagabalus was the last man to have seen the sun and the moon; by the year of 2044, all humanity lived underground in a world built out of concrete. When Elagabalus died, the reminiscences of the old world died together.
The people of the Stronghold had no identity. As they were a compendium of what once was a global diverse community, they did not share ethnicity, religions or even language. For this, they needed a leader able to conceal so distinctive backgrounds. Elagabalus was a good one, due to his exotic vividness and unusual tan. The human intellect regressed to a bestial level and they would choose their leaders by judging their beauty. That mournful night they would have to call a new election.
The Election Night 2044 was frustrating. None of the candidates has ever had a sunbath. Those diaphanous puppets of Hades were nothing but flesh and bones. Not even a spot of melanin. One could see melancholy frolicking through those empty bodies. How did the world could reach that path? There was nothing, not even beauty. Humanity was lost. Nature was harshly subverted. In 2044, nobody won the elections.
(minha redação para commonapp para a Tufts University.)
quarta-feira, 2 de dezembro de 2009
Lá si dó / nada é autobiográfico
Onze meses antes.
Muita chuva, porque chuva é poético. Menos [poético] que a primavera e muito mais que o sol- desde que sem guarda-chuva.
Uma-hora-e-meia pós-meia-noite:
A noite para um, madrugada para a outra.
Ele ouvia "she's only happy in the sun", ela, "I'm only happy when it rains".
Ela com fones de ouvido, ele não se importando com os vizinhos- a não ser que o incomodassem.
Ele contamplava a lua, ela sonhava com as estrelas;
Mas essa não é uma história de antíteses, porque ambos preferiam a noite. Porque precediam manhãs de sol, sem iaiá nem ioiô.
...
E a noite só não os uniu, porque já eram um; mas nunca seria capaz de desuní-los, apesar de previsível que os separasse um dia (...uma noite).
Que ele prefira as ondas, as tempestades; mas ela a calmaria, que ele diga "sozinho", ela "chega de saudade"; se um for Chico Science e a outra Chico Buarque...
Que importa? Ques importam?
Nem ses.
Só importam onze meses depois. E nunca para ambos.
Paula Zogbi Possari
Muita chuva, porque chuva é poético. Menos [poético] que a primavera e muito mais que o sol- desde que sem guarda-chuva.
Uma-hora-e-meia pós-meia-noite:
A noite para um, madrugada para a outra.
Ele ouvia "she's only happy in the sun", ela, "I'm only happy when it rains".
Ela com fones de ouvido, ele não se importando com os vizinhos- a não ser que o incomodassem.
Ele contamplava a lua, ela sonhava com as estrelas;
Mas essa não é uma história de antíteses, porque ambos preferiam a noite. Porque precediam manhãs de sol, sem iaiá nem ioiô.
...
E a noite só não os uniu, porque já eram um; mas nunca seria capaz de desuní-los, apesar de previsível que os separasse um dia (...uma noite).
Que ele prefira as ondas, as tempestades; mas ela a calmaria, que ele diga "sozinho", ela "chega de saudade"; se um for Chico Science e a outra Chico Buarque...
Que importa? Ques importam?
Nem ses.
Só importam onze meses depois. E nunca para ambos.
Paula Zogbi Possari
terça-feira, 1 de dezembro de 2009
Quente demais para sopa.
Carboidratos demais;
Açúcar demais;
Barulho, roupas, cérebro
De mais.
Pesado demais;
Arcaico em demasia;
Patinetes, férias, outono
De menos...
Paula Zogbi Possari
Açúcar demais;
Barulho, roupas, cérebro
De mais.
Pesado demais;
Arcaico em demasia;
Patinetes, férias, outono
De menos...
Paula Zogbi Possari
domingo, 29 de novembro de 2009
Árvore de Natal.
Ontem cheguei no meu prédio e os dois elevadores estavam no décimo quinto. Para esperar, sentei-me no hall. Em azul e vermelho, a árvore de Natal piscava aos meus olhos. Engraçado, que sensação. Havia anos que eu não parava para contemplar uma árvore de Natal. Aquela que representava paz, desejo, mistério, hoje em dia tão banalizada no cotidiano, cheguei até a reclamar do dinheiro que a síndica gastava com esses enfeites. Estou empedernindo. Não há mais tempo de contemplar. Quando era uma miúdo, sabia de cor cada ponto da costura da estampa dos cobertores de casa, sabia acompanhar todas as linhas do desenho no pano de chão do banheiro. Podia exceder os limites da conta de água por gastar tempo demais observando a trajetória de cada gota d'água no box. Quando estamos crescendo, é importante que observemos para aprender. É assim que assimilamos o mundo. Mas quando adultos, não sei que desgraçante pedância nos faz ignorar. É por isso que quando grandes, paramos de aprender, ficamos secos, grossos, perdemos a nossa humanidade. Quando paramos de observar, de contemplar. Velocidade e compromisso, existem coisas muito mais relevantes que engolem a nossa capacidade de aprender. Daí o elevador chegou e eu tive de correr. Mas isso foi sincero. Quis chorar em frente àquela árvore.
terça-feira, 13 de outubro de 2009
O legal da literatura amadora.
Eu estava assistindo Band of Brothers, e há um episódio chamado "Why we fight" fiquei naquelas de why everything. Daí eu pensei ontem antes de dormir porque escrevo. Cheguei a umas considerações. As considerações são muito pessoais, mas justificam-se.
O Legal da Literatura Amadora.
O legal da literatura amadora é escrever para si achando que está deixando um legado pra humanidade. É legal escrever sabendo que vai sair um monte de besteira e o único crítico é você mesmo. É legal porque ninguém vai estudar aquela sua sacada genial, e se alguém se interessar você vai ter que explicar. O legal é pegar tudo o que você já escreveu e achar algumas coisas muito bestas e algumas coisas que fazem muito sentido. Também é o máximo pensar na sua vida e dividí-la em fases, 1ª, 2ª, 3ª, romântica, realista, simbolista, modernista, vanguarda do seu tempo, e pensar que está inovando. Outra coisa que eu acho fantástica é o fato de (sei lá, pelo menos eu) escrever escrever escrever e não saber conjugar mais de dois verbos em tu ou vós (nem sei o nome dessas pessoas). Mas é legal também quando você lê algo novo e vê que algumas ideias próprias - poucas - batem com ideias de grandes escritores contemporâneos. Legal descobrir que existem coisas simples que você nunca experimentou - aprendi a usar travessões no meio do parágrafo há menos de um mês. Legal também descobrir que as professoras de redação em geral falam merda pra tentar tolhir os frutos da sua imaginação fértil.
O legal da literatura amadora é que, apesar de literatura, é amadora.
O Legal da Literatura Amadora.
O legal da literatura amadora é escrever para si achando que está deixando um legado pra humanidade. É legal escrever sabendo que vai sair um monte de besteira e o único crítico é você mesmo. É legal porque ninguém vai estudar aquela sua sacada genial, e se alguém se interessar você vai ter que explicar. O legal é pegar tudo o que você já escreveu e achar algumas coisas muito bestas e algumas coisas que fazem muito sentido. Também é o máximo pensar na sua vida e dividí-la em fases, 1ª, 2ª, 3ª, romântica, realista, simbolista, modernista, vanguarda do seu tempo, e pensar que está inovando. Outra coisa que eu acho fantástica é o fato de (sei lá, pelo menos eu) escrever escrever escrever e não saber conjugar mais de dois verbos em tu ou vós (nem sei o nome dessas pessoas). Mas é legal também quando você lê algo novo e vê que algumas ideias próprias - poucas - batem com ideias de grandes escritores contemporâneos. Legal descobrir que existem coisas simples que você nunca experimentou - aprendi a usar travessões no meio do parágrafo há menos de um mês. Legal também descobrir que as professoras de redação em geral falam merda pra tentar tolhir os frutos da sua imaginação fértil.
O legal da literatura amadora é que, apesar de literatura, é amadora.
quinta-feira, 1 de outubro de 2009
Dia de sorte. Meia dúzia coisinhas à toa que fazem a vida da gente.
começando pelo mais óbvio, pisei na escola ouvindo uma inspetora gritando pra outra: cancelaram o ENEM, vazou a prova. Ano premiado.
Mais irrisório, na prova perguntavam quatro medidas e repercussões do Marquês de Pombal, o que pra mim foi um desastre.
A lâmpada da sala abaixo à direita explodiu e cheirou gás pelo colégio inteiro.
1° depoimento, imprimiram a prova de recuperação errada para ser aplicada.
2° depoimento, a pessoa rasgou a prova apagando com borracha e logo em seguida, das nove aulas que teria, 4 seriam com a mesma professora de biologia e três com o mesmo professor de matemática.
3° depoimento, a pessoa, ouvindo o Ipod fingiu ser surda para evitar um assalto:
saboyamcphee @fabioandofilho LOL, foi muita sorte! Um até falou "surdo ouvindo fone de ouvido?" e o outro "é surdo sim!! olha pra cara dele" eu: "......"
Foi um dia a ser constado - 01/10/2009
Mais irrisório, na prova perguntavam quatro medidas e repercussões do Marquês de Pombal, o que pra mim foi um desastre.
A lâmpada da sala abaixo à direita explodiu e cheirou gás pelo colégio inteiro.
1° depoimento, imprimiram a prova de recuperação errada para ser aplicada.
2° depoimento, a pessoa rasgou a prova apagando com borracha e logo em seguida, das nove aulas que teria, 4 seriam com a mesma professora de biologia e três com o mesmo professor de matemática.
3° depoimento, a pessoa, ouvindo o Ipod fingiu ser surda para evitar um assalto:
saboyamcphee @fabioandofilho LOL, foi muita sorte! Um até falou "surdo ouvindo fone de ouvido?" e o outro "é surdo sim!! olha pra cara dele" eu: "......"
Foi um dia a ser constado - 01/10/2009
domingo, 27 de setembro de 2009
Equívoco
Não existe esperança, o mundo é vago, vazio.
O tempo que dura a felicidade é ínfimo se comparado ao tempo das reclamações incessantes e corridas contra as maldições da vida à própria vida.
O amor é pequeno, o único amor que nasce realmente grande é o amor próprio, mas mesmo esse diminui paulatinamente, a medida em que se descobre que nada acontecerá da maneira que foi planejado e toda a correnteza é no sentido contrário àquele- ah, aquele- descrito na poesia.
A poesia é um crime.
Pensar é desnecessário, e imaginar é tentar escapar de uma sina a qual nada pode destruir.
O que são os sonhos? Nada. Ninguém pode lhe ajudar, ninguém. E você não pode fazer nada sozinho.
"First you have to give up".
Os únicos momentos verdadeiros na sua vida são aqueles nos quais a sua maior vontade é morrer, e a segunda maior é a que nada do que foi feito merecesse ter sido sequer pensado.
Ninguém vale nada, nada vale nada.
Mas tudo isso não passa de um grande equívoco. O maior.
O tempo que dura a felicidade é ínfimo se comparado ao tempo das reclamações incessantes e corridas contra as maldições da vida à própria vida.
O amor é pequeno, o único amor que nasce realmente grande é o amor próprio, mas mesmo esse diminui paulatinamente, a medida em que se descobre que nada acontecerá da maneira que foi planejado e toda a correnteza é no sentido contrário àquele- ah, aquele- descrito na poesia.
A poesia é um crime.
Pensar é desnecessário, e imaginar é tentar escapar de uma sina a qual nada pode destruir.
O que são os sonhos? Nada. Ninguém pode lhe ajudar, ninguém. E você não pode fazer nada sozinho.
"First you have to give up".
Os únicos momentos verdadeiros na sua vida são aqueles nos quais a sua maior vontade é morrer, e a segunda maior é a que nada do que foi feito merecesse ter sido sequer pensado.
Ninguém vale nada, nada vale nada.
Mas tudo isso não passa de um grande equívoco. O maior.
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