terça-feira, 27 de janeiro de 2009
Papillon avant l'orage
sexta-feira, 23 de janeiro de 2009
Música poetizada
E ser mais um na multidão
Mas vocês só andam revoltados
Já estão perdendo a expressão
Ontem até quis mudar o mundo
Hoje vi que meu quarto tá imundo
Até as canções são sempre as mesmas
E notei que os refrões mais profundos...
São instrumentais
.
segunda-feira, 5 de janeiro de 2009
Ausência.
Minto, me importava com os outros. Eu não era apenas secundária, mal estava por trás das câmeras, eu vinha por último.
Alegrias alheias me alegravam, ajudar qualquer pessoa me fazia sentir bem, então pra que perder meu tempo cuidando de coisas minhas? Eu era uma só!
Acabei deixando de ser uma só.
Amei tanto, tanto, que esqueci de amar a mim mesma.
Por me importar tanto com os outros, tão pouco comigo, fui me tornando uma colcha de retalhos, onde cada pedaço era um alguém importante, e eu fui sumindo, sumindo...
Não que eu fosse infeliz daquele jeito. Pelo contrário, não podia querer mais nada.
Deixei de pensar em mim, mas com isso também me ausentei do mundo, dos meus retalhos, meus amores. Fui me mandando embora, eu era tão desinteressante!
Até que as coisas deixaram de ser tão coloridas, e os pedaços foram se afastando de mim, afastando cada vez mais...
Não estava sozinha. Não, não me deixaram sozinha, muito pelo contrário! Seria até ingratidão... Mas eu me sentia assim, já que ninguém pode estar sempre ao meu lado a não ser eu mesma. E eu não estava comigo.
Estava longe.
Eu era a linha que prendia todos os retalhos, e afrouxei mais que nunca, despedaçei. Não tinha mais com o que me aquecer, o que abraçar, quando sonhava que o tempo voltava e o mundo era meu novamente.
Nunca imaginei que fosse precisar tanto de mim como das outras pessoas. No fim das contas, estar ao meu lado talvez pudesse me fazer bem pra variar. Só espero não me estranhar, me dar bem comigo mesma, serei simpática.
sábado, 3 de janeiro de 2009
Desabafo de novo ano.
Agora ou amanhã
Mas pelo menos hoje, porque amanhã não serei eu, vou abrir bem meus olhos de forma assustadora e dizer: estou farto! Mas de onde vem essa rebeldia sem causa de hoje? Talvez por meus amigos, talvez pela questão do céu mesmo, ou ainda (provavelmente) por tudo estar tão certo e sem abertura para escrever um documento de protesto. Na verdade há um motivo, mas nada novo. Eu que sempre fui contra a exatidão, a matemática, estou freqüentemente caindo em definições. O que está acontecendo?? Chamem o garçom!
Em suma, não pare pra pensar no que você sentia, nem no dia seguinte, nem no nunca. De que vale aprender com os erros se inventaram a sorte? Os lápis não correm em riscos em vão. Pra que destino? Cada noite a gente vai achar a pessoa certa. Pra que frases grandes? Se todas as atenções fossem voltadas para as pequenas alegrias. Não é porque o leite acabou que ficaremos sem o bolo de microondas! É só a gente não gastar tudo agora. Aha! Viu! Já estava pensando no futuro. Ninguém pára pra pensar no agora porque o agora já passou. E o que virá agora? Desisto.
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
Condenação
Porque passo as noites pensando
Em como mudar o mundo
Respeitando os pobres
Eu faço sexo sem camisinha para ser poeta
Porque me cansam as rimas planas
E só nos corpos encontro a sinuosidade
Que preciso para te comover
Eu fumo para ser poeta
Pois os boêmios memoráveis
Além de sairem bem nas fotos
Não levavam uma vida de santo
Eu bebo para ser poeta
Pois por aguentar a vida
E elevá-la a tal complexidade
Poeta bom é poeta morto!
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Je me souviens.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
Um épico da coleta seletiva por Etapas.
Corria o ano de 2029. O planeta estava afogado no lixo quando J.R. Elinton meteu-se a morrer. Decrépito, entoava uma compleição taciturna e castigada, mas seus olhos iridescentes denunciavam, em meio a um obnóxio novo mundo de Hades, aquele que havia sido o último dos homens a ter habitado a superfície. O seu funeral estava um fracasso, apenas prestava o seu luto, de forma alheia, seu sobrinho K. O menino, aos píncaros de seus vinte anos era, agora, o mais velho ser humano em vida, primogênito da nova geração, fora o primeiro parto no Reduto.
Os olhos de J.R. Elinton permaneciam abertos e pareciam contemplar um jovial sol a patuscar com uma pirilâmpica lua na orla do mar, um esperançoso ensaio de tudo o que não resta daqueles que já não existem. No entanto, eles apenas repousavam, descansavam da vida que caçaram. Aqueles dois vórtices desapaixonados pela sina tinham visto, em 2009, como a recessão derrubara casas e casos em crise e como as catástrofes decorreram do betume e da besteira.Haviam olhado para o crepitante superaquecimento, a superprodução de lixo e de hiperpoluição, mas sem atinar às suas premeditáveis conseqüências. Haviam registrado cada medida proposta, desde o implante e a conseguinte rejeição de taxas para coleta de lixo, campanhas de reciclagem apoquentadas, até alguns acelerados experimentos, na jactanciosa esperança de que brincar de Natureza salvaria sua natureza. Haviam testemunhado o descaso que atolou, subitamente, as pessoas em desgraça e o mundo e caos. Mas, abriram-se apenas quando já era tarde demais.
Aquela, agora diáfana, dupla de olhos tinha despertado no ocaso, junto a tantas outras, e puderam somente lacrimejar em vão, assistindo às medidas desesperadas de governadores e cientistas propondo absurdas máquinas de compactação de lixo em larga escala, ou pílulas de hidratação que fomentavam a economia de água no organismo, incineradores portáteis, ou sondas espaciais de lixo. E, enquanto lacrimejavam, viram-se levados a redutos subterrâneos construídos pela ONU e viram morrer, em vinte anos, todos os ex-habitantes da superfície, incapazes de viver na ausência de vida.
Os olhos, antes de serem fechados, puderam então compreender que o paraíso existiu na Terra, mas só podia ser visto pelos que abriam os olhos, e que seja qual for, medida nenhuma podia ser proposta que poderia livrá-lo do inferno, senão o despertar de cada indivíduo.
segunda-feira, 17 de novembro de 2008
3 planos
Quando parei a olhar fixo para os cds da prateleira, o ventilador pareceu estar parado enquanto as paredes se moviam. Não é possível! Continuei olhando, mas a televisão começou a piscar em um tom meio verde escuro e em ritmo frenético. As ondas musicais oscilavam por todos os cantos chegando aos meus ouvidos pouco distorcidas, de forma que eu não podia compreender. Mas naquele exato momento o telefone tocou quebrando toda a vibração, meu espírito pareceu retornar para o submundo em que costumava viver.
Parte reflexiva:
Hoje não me sinto real. Deitado sob a paisagem que deixa o céu esverdeado, sentindo o vento bater em todo o corpo fazendo-o levitar, a maior vontade é que o mundo realmente acabe. Afinal, o que se há de fazer? Se nosso prazer está baseado em tirar proveito, imagine se em tudo que fosse 'inanimado' houvesse sentimento. Sinto que às vezes o apego material é tão acentuado que é de acreditar que nossas posses realmente sentem alguma coisa por nós, e em comparação com essa natureza, mais particular. É como se tivéssemos a necessidade de se apegar a algo para nos satifazermos. Confesso que assim como agora, confundo meus amores...
Isso não se encaixa:
Deixo agora esse mundo de divagações, pois não são pensamentos que vão mudar o mundo. O carnaval está pra chegar e no fim tudo acaba indo por álcool abaixo junto ao declive das passarelas e das avenidas.
quarta-feira, 12 de novembro de 2008
Pout Pourri Baião - Fabinho
Música também vale né?
Tá aí minha homenagem ao baião brasileiro. Eu não sou tão bom, mas a música brasileira é maravilhosa e muito rica, portanto, acho legal fazer as pessoas conhecerem e adquirirem interesse em descobrir esse campo infidável que é a nossa cultura.
Músicas:
-Asa Branca - Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira
-Felicidade - Lupicínio Rodrigues (não é baião, mas eu toco baião)
-Anunciação - Alceu Valença
( A qualidade baixa do som atrapalha de sentir a pegada baião, mas tamo aí né)
Fabinho no Acordeon.
http://www.youtube.com/watch?v=b4-umJgySoQ&feature=channel