domingo, 21 de novembro de 2010

Arte não-autorizada

Pouco mais de um mês atrás, a prefeitura da cidade de São Paulo, juntamente com a Polícia Militar, decidiu que passariam a ser proibidas manifestações musicais nas ruas-especialmente na Av. Paulista- que tivessem "qualquer tipo de exploração comercial."
Vou começar meu post com um vídeo:




Louis Armstrong, de talento indiscutível, a "personificação do jazz", começou sua carreira musical tocando nas ruas de New Orleans. Ele e muitos outros que conseguem fazer da arte o seu ganha-pão.
Agora contarei algumas historinhas pessoais:
Alguns meses atrás, tive a oportunidade de visitar a cidade de Paris. Conheci lugares maravilhosos, construções gegantescas e tudo aquilo o que todo mundo sabe que existe na cidade-luz. Mas uma das cenas mais encantadoras que vi segue abaixo:

Arte na Torre Eiffel, Paris, julho de 2010.
Nesse dia, vi pela primeira vez as ruas de um país que não fosse o meu, subi na torre eiffel, comi um crepe cheio de queijo, mas a primeira coisa que contei para o meu namorado quando o liguei foi que vi um menino tocando gaita de fole no pé da Torre Eiffel e achei aquilo lindo.
O euro que eu joguei dentro da maleta desse moço foi um dos mais bem gastos dessa semana toda. Ele era muito bom, e tocava o instrumento com uma paixão que se vê em poucas pessoas nessa vida.

Vi outros músicos em muitos outros lugares na cidade. Tocando o tema de "O Poderoso Chefão", La Boheme, até Garota de Ipanema. Dentro dos metrôs e trens, ao lado de monumentos históricos, em calçadas quaisquer. Sem conflitos, todos sorrindo e recebendo sorrisos.

Sentimento semelhante a esse eu tinha quando passava nos meus fins de tarde na av. Paulista. Terça-feira, seis da tarde, as pessoas poderiam sair das suas rotinas cansativas escutando acordeonistas, violinistas, guitarristas, e usar seu salário ganho durante o dia para que pudessem relaxar e ajudar os outros. Os musicos de rua não insistem por esse dinheiro, eles ganham porque as pessoas sentem que merecem.

Pergunto a vocês, prefeito e policiais militares da cidade de São Paulo: vocês não acham que eles merecem?
Considerando que o que eles fazem são "eventos", do que mais, além de ter talento, eles precisam para ganhar uma autorização?



sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Preconceito


“Você é muito nova”, dizia, “não entende as coisas complexas da vida”, acariciava seu couro cabeludo, cheiro de maçã verde, “na sua idade, ninguém sabe o que é amor”. Lágrimas nem sempre querem carícias.
Mas você amava. Era impossível que não. Doía, sangrava, e ao mesmo tempo era suave, belíssimo, infinito. (Por que não chamar de infinito algo que você não quer que acabe?)
“Tudo bem, você tem muito para viver”, insistia, e agora não entendia porque você tão cedo parara de chorar e olhava fixamente para as pedras (cinzacinzacinzavermelhacinzafolha). “Você quer ficar sozinha?”
Não queria ficar sozinha, mas estava na companhia errada. Disse que sim, ou só balançou a Cabeça de modo que se compreendeu que sim. Talvez nada disso.
Quem foi que disse que para sentir é necessário ter vivido muito tempo? Intensidade não é sinônimo de vivência, apesar de terminar com idade. Humanidade termina com idade. Os sentimentos, principalmente os bons, não possuem preconceitos. As pessoas, principalmente as não muito boas, essas sim.
Não que seu conselheiro não fosse uma pessoa boa, ele “quer sempre seu bem”. Mas existem coisas que estão dentro de nós, lá dentro mesmo, e os outros não precisam tentar enxergar ou entender. Qual é o ponto? A essência de cada um está no que ninguém vê, ninguém ouve, ninguém sente, ninguém sabe, ninguém nada. E o amor também.
Amava. Amava porque amor é cor, é som, é cheiro, luz, vento, é imortal e morre. E vive. E morre. E volta. As pessoas nunca acreditam amar sem amar de verdade. Elas podem até pensar, ou dizer, mas nunca acreditar.

Paula Zogbi Possari

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Reação


Meu coração dói, meus olhos sorriem e minha boca cala:
Estou lendo seus versos
Meu coração pula, meus olhos se inquietam e minha boca saliva:
Estou ouvindo seus versos
Meu coração cria asas, meus olhos fechados e minha boca se abre:
Estou sonhando seus versos.
Meu coração pára, meus olhos fixos e minha boca seca:
Estou sentindo seus versos.


Meu corpo agora está imóvel e triste. Não me lembro de seus versos.

Paula Zogbi Possari

domingo, 5 de setembro de 2010

Domingo (ou não é crime nem pecado)

Hoje estou desinteressante.
Minto, desinteressada.
Realmente não importa o que você diga ou faça, não vai causar a mínima reação em mim.
(...)Desculpe se você tem muito a dizer.
(...)Não, nem sobre isso.
Não adianta, todas as partes do meu cérebro- e do meu corpo- estão terrivelmente ocupadas em ficar completamente imóveis.
(Terrivelmente? Isso não é nada terrível, elas têm absoluto direito de se ocupar com isso)
Não é preguiça, nem cansaço, tampouco depressão.
Vou lá saber o que é? Não vai mudar a vida de ninguém.
Aliás, estou me esforçando muito mais do que deveria para te explicar isso.
(..)Ok, então, muito mais do que gostaria.
Por iço vol escrever erado.
Pronto, bem melhor assim, pra que pensar em português hoge?
Minha cama está muito vazia.

Paula Zogbi Possari

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Poesia imatura

Eu nunca deveria ter posto um filho no mundo para abandoná-lo assim, sem pensar.
Miri, eu voltei! Você ainda me ama?

Do outro lado da cidade
Uma borboleta secou,
Nenhuma nuvem surgiu,
Aquela pele rachou.
Mas quem precisa de umidade
Quando a tua saudade
Não deixa secarem meus olhos?



Paula Zogbi Possari

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Acúmulo

Hoje minha irmã disse para o meu antigo professor [do fundamental I] de música-vulgo flauta- que eu estava com saudades. Não tinha parado pra pensar nisso, mas é estranho como hoje eu sinto muito menos, nunca mais, falta desse meu colégio do que antes. Isso é comum, mas me inquieta.
Conforme o tempo passa, enquanto as diferentes Saudades vão se acumulando, acabei esquecendo de sentir as Saudades [maiúsculo mesmo] de certas coisas- Saudades que merecem ser sentidas- para sentir outras, que também merecem, mas não necessariamente merecem mais.
Por exemplo, por um vago e ágil instante, parei de sentir a Saudade de escrever aqui no miri. Não sei se foi o layout torto, que eu não sei arrumar e quem sabe não arruma, se é porque só sobramos eu e o Fabinho [mal-e-mal ambos] dentre todos aqueles que foram tão empolgados ao seu nascimento, se foi o vestibular, e depois o nervosismo, e depois a euforia...
O que eu sei é que me sinto injusta. Como pude deixar de sentir Saudades- não só essa- que já me consumiram tanto, que já derramaram tantas lágrimas sinceras em tantos ombros... saudosos?
O que penso é o seguinte: a saudade pode deixar de torturar e machucar, isso é natural. O não natural é deixar de senti-la. Não importa que elas sejam muitas, cada vez mais, ou que você tenha menos tempo para se dedicar a elas, nunca esqueça suas Saudades, elas fazem parte de você e merecem viver.

Paula Zogbi Possari

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Election Night 2044

Elagabalus finally died. His decrepitude sang the complexion of a punished man, though, the shimmering eyes, statically wide open, denounced the one who had been the last one to live on the surface. His mourn was a tremendous failure, there was only his nephew K, who was, by that moment, the older human in life at the age of twenty-four. K was the first offspring of the Stronghold.
By the year of 2010, the world fell into a great depression, the economy dropped and human boasting attitude overwhelmed nature, the environment got muddy. The world has got itself jammed in bituminous disgrace. Elagabalus was the last man to have seen the sun and the moon; by the year of 2044, all humanity lived underground in a world built out of concrete. When Elagabalus died, the reminiscences of the old world died together.
The people of the Stronghold had no identity. As they were a compendium of what once was a global diverse community, they did not share ethnicity, religions or even language. For this, they needed a leader able to conceal so distinctive backgrounds. Elagabalus was a good one, due to his exotic vividness and unusual tan. The human intellect regressed to a bestial level and they would choose their leaders by judging their beauty. That mournful night they would have to call a new election.
The Election Night 2044 was frustrating. None of the candidates has ever had a sunbath. Those diaphanous puppets of Hades were nothing but flesh and bones. Not even a spot of melanin. One could see melancholy frolicking through those empty bodies. How did the world could reach that path? There was nothing, not even beauty. Humanity was lost. Nature was harshly subverted. In 2044, nobody won the elections.


(minha redação para commonapp para a Tufts University.)

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Lá si dó / nada é autobiográfico

Onze meses antes.

Muita chuva, porque chuva é poético. Menos [poético] que a primavera e muito mais que o sol- desde que sem guarda-chuva.
Uma-hora-e-meia pós-meia-noite:
A noite para um, madrugada para a outra.
Ele ouvia "she's only happy in the sun", ela, "I'm only happy when it rains".
Ela com fones de ouvido, ele não se importando com os vizinhos- a não ser que o incomodassem.
Ele contamplava a lua, ela sonhava com as estrelas;
Mas essa não é uma história de antíteses, porque ambos preferiam a noite. Porque precediam manhãs de sol, sem iaiá nem ioiô.
...
E a noite só não os uniu, porque já eram um; mas nunca seria capaz de desuní-los, apesar de previsível que os separasse um dia (...uma noite).

Que ele prefira as ondas, as tempestades; mas ela a calmaria, que ele diga "sozinho", ela "chega de saudade"; se um for Chico Science e a outra Chico Buarque...
Que importa? Ques importam?
Nem ses.

Só importam onze meses depois. E nunca para ambos.


Paula Zogbi Possari

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Quente demais para sopa.

Carboidratos demais;
Açúcar demais;
Barulho, roupas, cérebro

De mais.

Pesado demais;
Arcaico em demasia;
Patinetes, férias, outono

De menos...


Paula Zogbi Possari

domingo, 29 de novembro de 2009

Árvore de Natal.

Ontem cheguei no meu prédio e os dois elevadores estavam no décimo quinto. Para esperar, sentei-me no hall. Em azul e vermelho, a árvore de Natal piscava aos meus olhos. Engraçado, que sensação. Havia anos que eu não parava para contemplar uma árvore de Natal. Aquela que representava paz, desejo, mistério, hoje em dia tão banalizada no cotidiano, cheguei até a reclamar do dinheiro que a síndica gastava com esses enfeites. Estou empedernindo. Não há mais tempo de contemplar. Quando era uma miúdo, sabia de cor cada ponto da costura da estampa dos cobertores de casa, sabia acompanhar todas as linhas do desenho no pano de chão do banheiro. Podia exceder os limites da conta de água por gastar tempo demais observando a trajetória de cada gota d'água no box. Quando estamos crescendo, é importante que observemos para aprender. É assim que assimilamos o mundo. Mas quando adultos, não sei que desgraçante pedância nos faz ignorar. É por isso que quando grandes, paramos de aprender, ficamos secos, grossos, perdemos a nossa humanidade. Quando paramos de observar, de contemplar. Velocidade e compromisso, existem coisas muito mais relevantes que engolem a nossa capacidade de aprender. Daí o elevador chegou e eu tive de correr. Mas isso foi sincero. Quis chorar em frente àquela árvore.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

O legal da literatura amadora.

Eu estava assistindo Band of Brothers, e há um episódio chamado "Why we fight" fiquei naquelas de why everything. Daí eu pensei ontem antes de dormir porque escrevo. Cheguei a umas considerações. As considerações são muito pessoais, mas justificam-se.

O Legal da Literatura Amadora.

O legal da literatura amadora é escrever para si achando que está deixando um legado pra humanidade. É legal escrever sabendo que vai sair um monte de besteira e o único crítico é você mesmo. É legal porque ninguém vai estudar aquela sua sacada genial, e se alguém se interessar você vai ter que explicar. O legal é pegar tudo o que você já escreveu e achar algumas coisas muito bestas e algumas coisas que fazem muito sentido. Também é o máximo pensar na sua vida e dividí-la em fases, 1ª, 2ª, 3ª, romântica, realista, simbolista, modernista, vanguarda do seu tempo, e pensar que está inovando. Outra coisa que eu acho fantástica é o fato de (sei lá, pelo menos eu) escrever escrever escrever e não saber conjugar mais de dois verbos em tu ou vós (nem sei o nome dessas pessoas). Mas é legal também quando você lê algo novo e vê que algumas ideias próprias - poucas - batem com ideias de grandes escritores contemporâneos. Legal descobrir que existem coisas simples que você nunca experimentou - aprendi a usar travessões no meio do parágrafo há menos de um mês. Legal também descobrir que as professoras de redação em geral falam merda pra tentar tolhir os frutos da sua imaginação fértil.
O legal da literatura amadora é que, apesar de literatura, é amadora.

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Dia de sorte. Meia dúzia coisinhas à toa que fazem a vida da gente.

começando pelo mais óbvio, pisei na escola ouvindo uma inspetora gritando pra outra: cancelaram o ENEM, vazou a prova. Ano premiado.
Mais irrisório, na prova perguntavam quatro medidas e repercussões do Marquês de Pombal, o que pra mim foi um desastre.
A lâmpada da sala abaixo à direita explodiu e cheirou gás pelo colégio inteiro.
1° depoimento, imprimiram a prova de recuperação errada para ser aplicada.
2° depoimento, a pessoa rasgou a prova apagando com borracha e logo em seguida, das nove aulas que teria, 4 seriam com a mesma professora de biologia e três com o mesmo professor de matemática.
3° depoimento, a pessoa, ouvindo o Ipod fingiu ser surda para evitar um assalto:
saboyamcphee @fabioandofilho LOL, foi muita sorte! Um até falou "surdo ouvindo fone de ouvido?" e o outro "é surdo sim!! olha pra cara dele" eu: "......"

Foi um dia a ser constado - 01/10/2009

domingo, 27 de setembro de 2009

Equívoco

Não existe esperança, o mundo é vago, vazio.
O tempo que dura a felicidade é ínfimo se comparado ao tempo das reclamações incessantes e corridas contra as maldições da vida à própria vida.
O amor é pequeno, o único amor que nasce realmente grande é o amor próprio, mas mesmo esse diminui paulatinamente, a medida em que se descobre que nada acontecerá da maneira que foi planejado e toda a correnteza é no sentido contrário àquele- ah, aquele- descrito na poesia.
A poesia é um crime.
Pensar é desnecessário, e imaginar é tentar escapar de uma sina a qual nada pode destruir.
O que são os sonhos? Nada. Ninguém pode lhe ajudar, ninguém. E você não pode fazer nada sozinho.
"First you have to give up".
Os únicos momentos verdadeiros na sua vida são aqueles nos quais a sua maior vontade é morrer, e a segunda maior é a que nada do que foi feito merecesse ter sido sequer pensado.
Ninguém vale nada, nada vale nada.

Mas tudo isso não passa de um grande equívoco. O maior.

sábado, 22 de agosto de 2009

O Milagre de Santa Luzia (o filme)

A sanfona, acordeão, gaita, está diretamente incrustada na cultura popular do povo brasileiro. Expressa os mais belos sentimentos e cantos da história do país, dando voz ao chamamé sulista, ao xote e baião nordestino, à guarânia, à rancheira e à marchinhas de festa juninas. Assim como em outros países como Rússia, Itália, França, Canadá, Alemanha, o acordeon é elemento fundamental integrante do folclore de muitos países, e no Brasil representa um compêndio de toda a diversidade, alegria e festa que o brasileiro carrega.

O Milagre de Santa Luzia é um retrato dessa profunda ligação, descrevendo o cenário das múltiplas faces da cultura brasileira através do abrir e fechar de foles de virtuosos espalhados no país.

Estréia para 28 de Agosto.

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Beirutando Na Praça. O Evento: 30 de Agosto de 2009

Segundo os preceitos da integração nacional de música e espaço urbano , vem aí um evento que será lindo maravilhoso.

Beirutando Na Praça. Simples e resumidamente é um evento de repercussão nacional no qual pessoas de todo o Brasil apresentarão músicas do Beirut em algum espaço público. Não só um cover é também uma releitura e uma nova dinamização desse grupo já tão dinâmico e inovador.

O Beirut é uma banda formada por Zach Condon, um americano parrudo que bota pra quebrar em composições que não tardam a pegar. Difundido nacionalmente por ser tema da série Capitu pela Globo, quem ainda não conheceu deve correr atrás. Quem já conhece vai deliciar-se com as apresentações do Beirutando Na Praça.

O evento ocorrerá dia 30 DE AGOSTO DE 2009. Aqui em São Paulo será no Parque do Ibirapuera às por volta das 14hs, perto do MAM e será registrado profissionalmente.

Para quem ainda não conhece o Beirutando, vale a pena conferir: Cliquot - Beirutando

Para quem quiser saber mais do projeto e acompanhar as novidades: Comunidade do Orkut
http://www.myspace.com/beirutando http://www.youtube.com/Beirutando http://beirutando.wordpress.com/ www.twitter.com/Beirutando

terça-feira, 16 de junho de 2009

Bagunça.

Que falta nesta cidade?................Verdade
Que mais por sua desonra?...........Honra
Falta mais que se lhe ponha..........Vergonha.


O demo a viver se exponha,
Por mais que a fama a exalta,
numa cidade, onde falta
Verdade, Honra, Vergonha. (...)
Gregório de Matos


Polícia é necessário. Políticos, muito infelizmente, são necessários às vezes. Mídia é necessária. Movimento Estudantil é mais necessário do que se imagina.O problema nesse mundo é que nada funciona como deveria. A polícia é meliante. Os políticos nem merecem ser comentados. A mídia é tendenciosa. E o movimento estudantil é burro. Nada que nenhuma pessoa não saiba, mas talvez não saibam aplicar as vergonhas em seus cotidianos.Muitas pessoas me reprimem por expor ideais utópicos, mas pra quê abandonar a crença que as coisas possam dar certo? A nossa sociedade está anestesiada de tanta pacholagem, mas o epicentro dessa desgraça está em cada um. O Prof. Edson Alberto C. Ferreira palestrou que é necessário acreditar e lutar, desde que se esteja acima de suas próprias utopias. Esse é meu artigo, inútil para aqueles que veem o problema sempre um passo a frente.


Maio - Junho de 2007 - Ocupação na reitoria da USP.
Estudantes da Universidade de São Paulo ocupam a reitoria reinvidicando uma maior democratização no ensino público. De um lado expuseram uma nova força de expressão estudantil. De outro, depredaram aquilo que vem do dinheiro público. Por ainda outro lado, a mídia faz seu papel. Bagunça.

ver:

Bagunça.
Bagunça..
Bagunça...


16 de Outubro de 2008 - Guerra entre polícias.
Polícia Civil, em manifestação, entra em conflito com a Polícia Militar. Vergonha.

Vergonha, vergonha, vergonha.


9 de Junho de 2009 - Invasão da Polícia Militar na USP.
Greve na USP. Funcionários traziam em pauta a readmissão do sindicalista Brandão e o reajuste salarial, que não vem desde 1994. A reitoria alega que o piquete fere o direito de ir e vir em patrimônio público e aciona a Polícia Militar, que a partir do dia 3 ocupou o campus. Estudantes tomam partido e manifestam também contra o exímio programa da Univesp de licenciatura a distância, que com certeza vai contribuir poças para a educação no país, e pedem a saída da PM. Violência.

Violência

Certo ou errados, o hipopótamo e o escorpião.

domingo, 7 de junho de 2009

Quem é o culpado?



O povo do Zimbábue teve o que mereceu, dizem alguns mais céticos, ao elegerem (muitas vezes) o tirano Robert Mugabe como seu presidente, e permitindo o contínuo aumento da inflação e a perpetuação da crise econômica do país, crise de uma enormidade impressionante para qualquer um com um pouco de senso de realidade. Mas até que ponto esse povo- e esse presidente- devem ser julgados?

Eleito em 1980 primeiro ministro, foi uma figura essencial para a independência, em abril desse mesmo ano, de um país frágil, atrasado e necessitado de líderes como este, que anteriormente fora preso e exilado por lutas a favor de seus ideais. Mas que em 2005 já afirmava que deixará a presidencia apenas quando completar cem anos de idade, e não há quem o negue, da mesma forma que não há quem prove que as eleições são sempre legítimas.

Após se tornar presidente, com a extinção de seu antigo cargo, tratou de centralizar seu poder, impondo o presidencialismo, promoveu bons ajustes no sistema educacional, elevou a qualidade de vida, tudo bem, até a sua ideia de reforma agrária aparecer, com o confisco, em 2000, de terras de proprietários brancos, acompanhado de uma matança comparada por alguns ao holocausto da Alemanha nazista, para dar aos negros, o que foi determinante para o início da atual crise pela qual passa o Zimbábue, onde a inflação chegou a 231 000 000% ao ano, onde famílias levam quilos de notaz zimbabueanas para um almoço de domingo, onde em 2004 68% da população vivia abaixo do nível da pobreza.

Mugabe atrbui a crise às sanções impostas pelos governos ocidentais, mas a verdade é que não há como saber se seu impeachment ou qualquer outra maneira de retirá-lo do poder seria o suficiente para acabar com a situação. Apesar de ser inegável que ele mereça uma lição, qual é a força de um povo pobre, doente e necessitado em um momento como esse?

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Acusticando o Rock



Henrique Hawle

apresenta

Acústico Especial de Despedida!!

Confira as atrações!!

Zaíra (voz feminina)

Fábio (acordeon)

Rafael (voz)

DeGhustas

Senhores Fulanos


5ª feira - 07/05

Lone Star Pub

Rua Ministro Rocha Azevedo, 1096, Jardins. (3082-6408)

Horário: 22h00

Entrada:R$5,00


Ai pessoal, não esperem muito de mim, porque não deu tempo de ensaiar muito tá?E é só uma participaçãozinha especial de quatro músicas. Fica o convite aí, se tiverem tempo e disposição :)

Fábio Andó Filho

sexta-feira, 1 de maio de 2009

Música Paulistana (beta)

São Paulo é uma das cidades mais importantes do Brasil e, certamente, a capital cultural do país. Isso deriva de grandes quantidades de manifestações artísticas, e difere-se de outras regiões do país por apresentar uma enorme diversidade. São Paulo foi palco de um dos eventos mais importantes de expressão artística na terra da palmeira, a Semana de Arte Moderna de 1922, é pólo de atração de exposições internacionais de arte seja contemporânea, barroca, o que for, apresenta grande concentração de bons teatros como o Oficina, e de importância histórica como o Arena, tem uma enorme capacidade no cenário de música underground, tem dança, orquestras, foi berço de grandes autores como Mário de Andrade e Monteiro Lobato (Taubaté). O problema é que essa grande força de expressão não está presente no cotidiano da correria.

Pelo mundo afora, as capitais culturais, que são, geralmente, as maiores cidades, criaram o hábito de intercalar arte com a rotina. Andar em Montréal, a capital cultural do Canadá, é conviver com esse hábito, ninguém passa por nenhuma estação de metrô que não seja acariciada pelos talentosos jovens e velhos músicos. Em Buenos Aires, quem nunca ouviu falar de apresentações de Tango na rua ao som agradabilíssimo do tradicional bandoneon? Na Cidade do México, os músicos apresentam-se dentro dos próprios vagões de metrô, em meio à multidão que sai a trabalho, que pode relaxar e apreciar o que representa a melhor das invenções da humanidade. Em Paris, as pessoas cantam até nos cabelereiros (ver). E na nossa querida terra da garoa? Vi três em toda minha vida e até divulgo-lhes, pois merecem respeito. Um toca violino em alguns fins de tarde pela saida de baixo do metrô Clínicas, outro toca flauta transversal em raros poentes na saida da Vergueiro no terminal Ana Rosa, outro o violino ao lado da Catedral da Sé.

O ato de expressar-se artisticamente em público, cruamente, na rua, é constantemente associado à mendicância. Deve-se eliminar tal preconceito, e deve-se passar a reconhecer o que há de belo, enquanto as pessoas contribuem com a construção de um cenário urbano mais agradável, outras, ignorantes e inexpressivas, atribuem significados injustos, fruto da furtividade social. Não obstante, a prática de arte em público resulta em aprimoramento do amadorismo, desalienação da massa aculturada, desafloração de ânimos reprimidos, colaborando com a construção de uma paisagem mais lépida.

A minha intenção é tentar lutar por uma causa que muitos consideram fútil. Tento fazer com que as pessoas tomem a inciativa de expressar-se sem medo de serem reprimidas. Como aspirante à músico, sei que todos buscam serem reconhecidos e buscam indivíduos que apreciem sua arte. Também acredito que muitos conseguirão alguns arrecadamentos, que não serão tão módicos, pois muitos transeuntes incentivarão aquilo que os faz bem. Chamo essa minha tentativa de projeto de Música Paulistana, e é uma simples vontade de trazer charme à essa cidade de contrastes, cores e ritmos. Inicialmente, não apresento nenhuma proposta concreta (por isso o beta), e sim um apelo aos dezenove milhões de habitantes (ou a meia dúzia que lerá esse artigo) que fomentem as envies de músicos e artistas amadores para que saiam do casulo e mostrem suas asas que nasceram para serem vistas.

Essa proposta, apesar de individual, é empática à do Governo do Estado de São Paulo,que meses atrás lançou um projeto (o qual não me recordo o nome) de incentivo à apresentação de bandas independentes de composições próprias em pontos públicos e importantes da cidade, não sei ao certo que fim deu. Há também o projeto de música da América Latina que ocorre no Terminal Rodoviário do Tietê. O Governo põe à disposição legislação que possibilita projetos culturais mais exigentes( ver). A cultura é sim importante, e todos devem contar com o apoio do Estado, ninguém é reprimido por isso e o país só tende a melhorar.

Espero, sinceramente, que a nossa cidade chegue um dia ao status de primeiro mundo, mas não somente no âmbito político-sócio-econômico, mas também no cultural, educacional e intelectual. Mãos à obra.


Inspirem-se: Beirut - Nantes (Paris)
Beirut - The Penalty (Paris)


Non dvcor, dvco.



Fábio Andó Filho


A nossa humilde tentativa:
(foi divertido pacas)